Relacionamento real vs. Relacionamento virtual

- POR Maria Rocha

Depois de assistir o filme “She”, onde o ator principal do filme se relaciona com uma maquina e acaba se apaixonando por ela, minha cabeça começou a refletir incessantemente sobre os relacionamentos atuais.

No filme, fica claro que o ator não consegue ter relacionamento “reais”, não consegue lidar com os sentimentos que sente e, muito menos, ter contato físico com alguém que está se relacionando.

Os relacionamentos virtuais, sejam eles quais for, distanciam as pessoas que estão mais próximas, a mesmo tempo que, aproximam os que estão mais longes. Por exemplo, você pode estar sentado na mesa de um bar com um amigo em Nova Iorque, e enquanto troca mensagens com alguém que está em Paris.

A presença física perdeu muito o seu valor, o contato, o toque, o sentimento, o carinho, o prazer de estar junto, sentir o outro, estar perto, perdeu um pouco a graça. Posso dizer que os relacionamentos virtuais ajudam a “preencher” a solidão quando se está se sentindo sozinho, mas, ao mesmo tempo, acaba te isolando do momento presente. Apaixonar-se pelo o que está do outro lado da tela, sem o conhecer na rotina e no seu cotidiano, torna-se muito mais fácil para o ser humano, que hoje em dia, tem dificuldades em lidar com barreiras, problemas e sentimentos.

Quando o ser humano tem que entrar em contato com a realidade, ele se fecha, se defende com medo de sentir algo desconfortável, como, por exemplo, a frustração, angustia e medo. Por isso, o relacionamento virtual é perfeito para os dias de hoje, onde só retiramos as coisas confortáveis de uma relação, o que sacia a solidão e proporciona um prazer imediato nos dando uma falsa impressão de estarmos “completos”..

Na verdade, me parece que estamos cada vez mais sozinhos, cada vez mais online e mais distante do mundo real. O medo de ficar sozinho é tão grande, que a nossa cabeça acaba nos sabotando e nos levando para o virtual, nos deixando cada vez mais solitários. O valor de um abraço apertado, de um beijo bem dado, de expectativas de encontros está indo embora..

Não digo que o virtual não é real, inexistente, mas não é uma coisa tocável, palpável, onde se tem a melhor parte da relação, a física!

O medo de se apaixonar, de se entregar e viver uma paixão, de amar e quebrar a cara, , de sentir pura e simplesmente, está vencendo nossas cabeças. Eu digo para vocês ao mesmo tempo em que digo para mim, viver é tão bom, sentir é tão bom, porque trocar isso por algo irreal?! Me questiono e questiono porque me pego as vezes muito mais online do que aterrissada no meu momento presente, não vivendo e perdendo o que está a minha volta.

Tenho percebido que as pessoas estão com um enorme dificuldade de presente, ou estamos no passado ou no futuro, jamais entrando em contato com o que estamos sentindo de verdade. O online ajuda, alias é uma bela ferramenta para ser usada com uma válvula de escape, mas o real certamente nos ensina a viver, a sentir e ter um prazer quase que por completo.

Por Maria Rocha, Psicóloga Clinica


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